31/12/1969
AGRONEGÓCIO
Brasil deve superar EUA e se tornar o maior exportador agrícola do mundo

O Brasil encerrou 2025 apenas US$ 2 bilhões atrás dos Estados Unidos no ranking dos maiores exportadores agrícolas do mundo, abrindo uma disputa pela liderança que, até poucos anos atrás, parecia distante.

 

Os americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no ano passado, enquanto o agronegócio brasileiro alcançou US$ 169,2 bilhões, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ou seja, a diferença, que era de US$ 56 bilhões em 2021, caiu 97%.

 

Na disputa entre Brasil e EUA, o cenário de 2026 pode ser ainda mais apertado: o governo Trump projeta US$ 177,5 bilhões em embarques internacionais, enquanto o Brasil, mantido o ritmo atual, poderá fechar o ano com US$ 180 bilhões em receitas externas do setor.

 

Em uma extensa reportagem recente, o jornal britânico Financial Times analisa a tendência de o Brasil ultrapassar os EUA e a atribui em parte às tensões comerciais provocadas pelas tarifas americanas, que reduziram a competitividade de produtores dos EUA em mercados como o chinês.

Mas a aproximação entre os dois países é resultado também de uma transformação estrutural da agricultura brasileira, que combina expansão de área, aumento de produtividade, segunda safra e diversificação de produtos e destinos.

 

O dado mais recente do Mapa mostra a dimensão dessa transformação. As exportações do agronegócio brasileiro cresceram 3% apenas em 2025, apesar de uma queda de 0,6% nos preços médios. O avanço veio principalmente do aumento de 3,6% no volume embarcado. O setor respondeu por 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior no ano.

 

Além disso, o desempenho americano perdeu força. Segundo o Serviço de Pesquisa Econômica do USDA (ERS), os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas em 2025, abaixo do pico de US$ 174,8 bilhões registrado em 2022.

 

O órgão aponta como fatores para a retração a queda dos preços internacionais, a valorização do dólar e mudanças na demanda por produtos como milho e soja. As vendas americanas para a China, por exemplo, caíram 66% em 2025, para US$ 8,4 bilhões.




Autor: Célio Yano
Fonte: GAZETA DO POVO











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