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CUSTOS E RENDA DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

 

30 de abril de 2017

 

 

 

O Cedagro atualizou o estudo dos coeficientes técnicos e custos de produção de várias atividades agrícolas em diferentes níveis tecnológicos e situações do estado do Espírito Santo. São 70 planilhas eletrônicas que podem ser adaptadas às diversas condições de cada empreendimento, possibilitando, assim, se fazer uma análise comparativa dos custos e receitas entre vários produtos agrícolas e, consequentemente, a rentabilidade e a viabilidade econômica das diversas culturas elencadas neste trabalho. Essa atualização é feita a cada dois anos.

 

Os custos de produção de várias atividades agrícolas, entre Janeiro de 2015 a Janeiro de 2017, tiveram um aumento médio de 24,2%, bem acima da inflação do período que foi de 16,96%.

 

 

Dentre os itens que compõem os custos de produção, os serviços obtiveram um aumento superior aos insumos. O aumento dos serviços foi significativo, com 34,21% de crescimento em relação ao período anterior, acima inclusive do reajuste do salário mínimo. Já os insumos, o incremento no valor foi discreto, inferior à inflação do período, perfazendo 14,58%.

 

Conforme observado nos anos anteriores, o custo dos serviços são os que mais comprometeram os custos de produção, representando em média 72% do total, contra 28% dos insumos. Em algumas culturas como o eucalipto, em áreas não motomecanizáveis, os serviços representaram 88% dos custos totais de produção. Só as operações de colheita e transporte do eucalipto representaram em média 60% dos custos dos serviços. Na cultura do café conilon os custos dos serviços envolvendo colheita e pós-colheita também são significativos, representando em média 56% de todos os serviços.

 

Custos versus mercado

 

Avaliando as principais culturas, o estudo mostra que os custos de produção no café arábica variaram de R$ 673,00/saca em baixas produtividades (10 sacas/ha), a R$ 331,00/saca em altas produtividades (60 sacas/ha). O ponto de equilíbrio da atividade, onde não ocorre nem lucro e nem prejuízo, está na produtividade de 40 sacas/ha, que a maioria dos produtores não consegue alcançar. Isso significa que se forem considerados todos os custos dos insumos e serviços, a maioria dos produtores de arábica estão tendo prejuízos. Ressalta-se que essa avaliação foi em relação ao valor do café arábica tipo 7 bebida rio com até 12% de umidade, por ser o mais comumente produzido, e que a produção de café arábica de qualidade superior pode reduzir o ponto de equilíbrio da atividade e aumentar a rentabilidade, pois possuem melhores valores de mercado.

 

No café conilon irrigado os custos médios variaram de R$ 318,00/saca na produtividade de 45 sacas/ha (média estadual) e R$ 224,00/saca na produtividade de 120 sacas/ha. Essa atividade, em função da valorização do produto no mercado, apresentou rentabilidade positiva em todos os níveis de produtividade estudados (25 sc/ha até 120 sc/ha).

 

Essa tendência de valorização de preços ocorreu em vários produtos na fruticultura como mamão hawai e formosa, goiaba, maracujá, limão thaiti, tangerina, entre outros, o que possibilitou boa rentabilidade para aqueles produtores que conseguiram obter altas produtividades.

 

A pimenta do reino, novamente, foi a cultura de maior destaque dentre as avaliadas possibilitando elevados ganhos para aqueles produtores que tiveram boa produtividade, uma vez que o menor preço dos últimos dois anos foi, pelo menos, 3 (três) vezes superior a seu custo de produção.

 

Apesar da estimativa de bons resultados de diversas culturas agrícolas, houve pouca apropriação de renda por parte dos produtores rurais, ao contrário, houve uma descapitalização em muitos empreendimentos rurais, devido à crise hídrica dos últimos anos, e por consequência a baixa produção e produtividade.

 

A silvicultura de eucalipto apresentou custo médio de R$ 64,03/m³ e lucratividade de R$ 12.311,00/ha em uma produtividade de 280 m³/ha no ciclo de sete anos considerando o programa produtor florestal da Fibria.

 

Em relação à pecuária leiteira, na produção de 10 litros de leite por animal por dia, o preço pago pelo produto foi ligeiramente superior ao custo de produção, possibilitando baixos ganhos na atividade (R$ 376,77 por hectare/ano). Na produção de 5 litros de leite por animal por dia, que é a média estadual, considerando os custos totais (fixos mais variáveis), a atividade apresentou rentabilidade negativa.

 

Os requisitos necessários à tomada de decisão de se investir carecem de avaliação por parte do empreendedor rural. Apesar de algumas culturas agrícolas estarem vivenciando bons momentos econômicos, é importante ponderar sobre os custos de implantação, a flutuação na demanda e valores de mercado, a exigência de mão-de-obra e especialmente os riscos climáticos inerentes à produção, dentre outros fatores importantes do sistema de produção.

 

Custo médio de produção (jan/2017) de algumas culturas *

 

 

 

 

 

 

 

*Obs: Não foram considerados no calculo de custos o valor da terra, a remuneração do capital aplicado, taxa de elaboração de projetos e assistência técnica, licenças ambientais e nem as taxas administrativas da propriedade rural.

 

 

Todas as 70 planilhas com 40 atividades rurais encontram-se no site www.cedagro.org.br.

 

 
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